Offline
Ex-assessora de Flávio é denunciada por lavagem de dinheiro ligada à milícia
Em nota enviada ao Correio, o senador nega envolvimento e diz que atuação da ex-servidora não o vincula ao caso
Publicado em 21/03/2026 14:12
Política

MP do Rio de Janeiro denuncia ex-assessora de Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro ligada à milícia. - (crédito: Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Raimunda Veras Magalhães, que atuou como assessora parlamentar do senador e pré-candidato a presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) sob a suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro associado à milícia comandada por seu filho, o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega. Segundo as investigações, ela teria atuado na movimentação e ocultação de recursos obtidos por meio da exploração de disputas de jogo do bicho.

Procurada pelo Correio, a assessoria do senador afirmou que ele não tem qualquer relação com o caso e que o político “não é citado, investigado ou acusado” e que o fato de Raimunda ter atuado em seu gabinete entre 2016 e 2018 não o vincula às condutas atribuídas a ela.

Raimunda ingressou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em 2015 e, no ano seguinte, foi nomeada para o gabinete de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual. Ela ocupava um cargo com remuneração de cerca de R$ 6,5 mil mensais — valor que, corrigido pela inflação, ultrapassa R$ 12 mil. A exoneração ocorreu em novembro de 2018, período em que surgiram denúncias relacionadas a um suposto esquema de “rachadinhas”.

Na época, também foi citada Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-esposa de Adriano, que trabalhou no gabinete por mais de uma década. Investigações mostraram que parte dos salários de assessores era repassada ao ex-policial Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema.

O caso foi arquivado em 2021 após decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), que anularam provas por questões processuais, impedindo o julgamento do mérito.

De acordo com o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Raimunda fazia parte da engrenagem financeira do grupo criminoso, sendo responsável por receber, movimentar e ocultar valores por meio de empresas de fachada. As apurações indicam que o esquema movimentou mais de R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano.

A atuação do grupo ocorria principalmente na Zona Sul do Rio de Janeiro, com destaque para Copacabana, e contava com a participação do bicheiro Bernardo Bello. Em outra frente da mesma investigação, o Ministério Público também denunciou a viúva de Adriano, Julia Lotufo, suspeita de negociar imóveis e propriedades rurais vinculados ao miliciano com o objetivo de dar aparência legal ao patrimônio.

A denúncia contra Raimunda integra a Operação Legado, que resultou na acusação de 19 pessoas. A Justiça também expediu mandados de prisão e de busca e apreensão.

Gaeco informou que as investigações foram divididas em três eixos: lavagem de dinheiro oriundo do jogo do bicho, atuação de organização criminosa ligada a Adriano da Nóbrega e ocultação de patrimônio do grupo. Entre os bens sob suspeita estão imóveis avaliados em milhões de reais, que teriam sido negociados para tentar regularizar recursos ilícitos. As investigações seguem em andamento e devem avançar na identificação de outros envolvidos e na recuperação de valores considerados ilegais.

Wal Lima 

Correio Braziliense

Comentários