A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, custeou despesas de luxo do senador Ciro Nogueira (PP-PI) durante uma viagem aos Alpes Franceses em janeiro de 2025. Entre os gastos apontados pelos investigadores estão refeições que somaram aproximadamente R$ 122 mil em restaurantes de alto padrão na estação de esqui de Courchevel, um dos destinos mais exclusivos da Europa.
Segundo relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), Ciro Nogueira e sua companheira, Flávia Rosalen, permaneceram por 13 dias em Courchevel, entre 12 e 25 de janeiro de 2025. A PF calcula que o custo total da viagem alcançou R$ 1.849.201, incluindo hospedagem, transporte, alimentação e demais despesas.

Refeições de R$ 122 mil
Os investigadores afirmam que Vorcaro teria pago duas refeições que juntas chegaram a aproximadamente R$ 122 mil. Os gastos teriam ocorrido em restaurantes de luxo frequentados pelo grupo durante a estadia na França. A PF sustenta que mensagens obtidas durante a investigação indicam que pessoas ligadas ao banqueiro consultavam Vorcaro sobre o pagamento das despesas de “Ciro/Flávia”, recebendo autorização para quitar as contas.
Cronologia das viagens investigadas
A investigação aponta pelo menos três viagens internacionais atribuídas ao custeio de Daniel Vorcaro:
Abril de 2024 – Paris (França)
A PF identificou uma viagem à capital francesa como uma das primeiras despesas internacionais supostamente bancadas pelo empresário.
2024 – Viagem aos Estados Unidos
Relatórios citam deslocamentos e despesas no exterior que teriam sido custeados pelo controlador do Banco Master.
12 a 25 de janeiro de 2025 – Courchevel (Alpes Franceses)
Considerada pelos investigadores a mais cara das viagens identificadas, a estadia em Courchevel teria custado quase R$ 2 milhões. Fotografias obtidas pela PF mostram Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro juntos na estação de esqui em 21 de janeiro de 2025.
Operação Compliance Zero
A investigação integra a Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à instituição.
Em 7 de maio de 2026, a Polícia Federal deflagrou a quinta fase da operação por determinação do ministro André Mendonça, do STF. Na ocasião foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra Ciro Nogueira e outros investigados.
Prisões realizadas
7 de maio de 2026
Foi preso Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, ele seria responsável pela operacionalização de movimentações financeiras investigadas no esquema.
Não há registro, até o momento, de condenação definitiva dos principais investigados. As apurações seguem em andamento sob supervisão do STF.
Quem são os principais envolvidos
Ciro Nogueira
Senador pelo Piauí e presidente nacional do Progressistas (PP). A PF investiga se ele teria atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master em troca de vantagens econômicas. O parlamentar nega qualquer irregularidade.
Daniel Vorcaro
Empresário e controlador do Banco Master. É apontado pela PF como responsável pelo custeio de viagens, hospedagens, voos privados e outras despesas atribuídas ao senador.
Flávia Rosalen
Companheira de Ciro Nogueira. Segundo a investigação, também teria participado da viagem aos Alpes Franceses custeada por Vorcaro.
Felipe Cançado Vorcaro
Primo de Daniel Vorcaro e preso na quinta fase da Operação Compliance Zero. É apontado como operador financeiro de parte das movimentações sob investigação.
André Mendonça
Ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pela supervisão do inquérito e pelas decisões judiciais relacionadas à operação.
Suspeita de repasses mensais
Além das viagens, a PF afirma ter encontrado indícios de pagamentos mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil destinados a Ciro Nogueira. Mensagens apreendidas mencionariam valores e tratativas relacionadas aos repasses. A defesa do senador rejeita as acusações e afirma que não houve recebimento de vantagens indevidas.
Defesa
Ciro Nogueira nega ter cometido qualquer irregularidade e sustenta que as acusações não correspondem à realidade dos fatos. Os advogados do senador afirmam que ele jamais participou de atividades ilícitas e que apresentará sua defesa perante a Justiça. Daniel Vorcaro também contesta as acusações formuladas pelos investigadores.
Até o momento, as conclusões apresentadas pela Polícia Federal representam hipóteses investigativas que ainda serão analisadas pelo Supremo Tribunal Federal e poderão ser objeto de contestação pelas defesas dos envolvidos.