O aguardado julgamento dos quatro acusados de envolvimento na morte da cabeleireira Návia Regina Christan, conhecida como Maninha, foi adiado pela Justiça do Rio Grande do Sul. A sessão do Tribunal do Júri, que estava marcada para esta quinta-feira (16), na Comarca de Tramandaí, foi remarcada para os dias 24 e 25 de setembro de 2026, com início às 9h.
A decisão foi proferida pelo juiz Gilberto Pinto Fontoura, titular da 1ª Vara Criminal de Tramandaí. O adiamento ocorreu após a defesa de dois dos acusados informar que o advogado constituído encontra-se impossibilitado de atuar por motivos de saúde, solicitando o desmembramento do processo para que os clientes fossem julgados em outra data.
Ao analisar o pedido, o magistrado negou a realização de julgamentos separados. Na decisão, destacou que, em casos envolvendo os mesmos fatos e provas, a regra é que todos os acusados sejam submetidos ao Tribunal do Júri na mesma sessão. Segundo o juiz, o desmembramento poderia comprometer a compreensão dos jurados sobre a dinâmica dos acontecimentos e a análise do conjunto probatório.
Diante da impossibilidade de participação do defensor, a Justiça optou pelo adiamento da sessão, preservando a unidade do julgamento e garantindo o pleno exercício do direito de defesa.
Acusações
O Ministério Público sustenta que Silvana Cristan, irmã da vítima, e Joares Antônio Pellinson, cunhado de Maninha, teriam participado do planejamento do homicídio. Também respondem ao processo Rosane de Lima Araújo e Robsom Araújo de Moraes Soares, acusados de intermediar a contratação dos executores do crime.
Todos os acusados serão julgados conjuntamente pelo Conselho de Sentença quando o Tribunal do Júri for realizado em setembro.
Relembre o caso
O assassinato de Maninha é considerado um dos casos criminais de maior repercussão do Litoral Norte gaúcho.
Em outubro de 2017, a cabeleireira sofreu uma tentativa de homicídio dentro de sua residência, sendo atingida por um disparo no rosto. Ela sobreviveu, mas ficou com sequelas permanentes.
Pouco mais de um ano depois, em 5 de novembro de 2018, foi morta a tiros dentro do salão de beleza onde trabalhava, no Centro de Tramandaí.
Os dois homens apontados como executores dos disparos já foram julgados e condenados pelo Tribunal do Júri em 2022. O julgamento remarcado para setembro deverá analisar a responsabilidade dos quatro réus apontados pelo Ministério Público como participantes da suposta organização do crime.
Expectativa
O caso continua despertando grande atenção da comunidade de Tramandaí e do Litoral Norte. A expectativa é de que o julgamento, previsto para ocorrer ao longo de dois dias, reúna familiares, representantes do Ministério Público, advogados de defesa, imprensa e público, marcando mais um importante capítulo em um processo que se arrasta há vários anos e que busca esclarecer definitivamente as responsabilidades pelo homicídio de Návia Regina Christan, a Maninha.