O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira (22) um de seus maiores protagonistas. O produtor, diretor, roteirista e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, conhecido nacionalmente como Barretão, morreu aos 98 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo Hospital Copa Star, onde ele estava internado para tratamento de uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.
Nascido em Sobral (CE), em 1928, Luiz Carlos Barreto iniciou sua trajetória profissional como jornalista. Trabalhou na revista O Cruzeiro, uma das publicações mais influentes do país, atuando inclusive como correspondente internacional na França. Foi nesse período que estreitou laços com intelectuais e artistas que impulsionariam o movimento do Cinema Novo, marco da renovação do cinema nacional na década de 1960.
Sua entrada definitiva no audiovisual ocorreu ao lado de Glauber Rocha, participando da produção de Barravento. Pouco tempo depois, colaborou no roteiro de Assalto ao Trem Pagador e trabalhou como fotógrafo em Vidas Secas, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, obra considerada um dos maiores clássicos da cinematografia brasileira.
Em 1963, ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, fundou a L.C. Barreto Produções, empresa que se transformou em uma das mais importantes produtoras do Brasil. Ao longo de mais de seis décadas, a produtora esteve à frente de dezenas de filmes que marcaram gerações e ajudaram a consolidar o cinema brasileiro no cenário internacional.
Entre as principais obras produzidas por Luiz Carlos Barreto estão Terra em Transe, Vidas Secas, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, O Quatrilho, O Que É Isso, Companheiro?, O Padre e a Moça e A Hora e a Vez de Augusto Matraga. Muitos desses filmes receberam reconhecimento internacional e figuram entre os mais importantes da história do cinema nacional.
Seu legado também alcançou o Oscar. A L.C. Barreto Produções participou das produções de O Quatrilho (1995) e O Que É Isso, Companheiro? (1997), indicados ao prêmio de Melhor Filme Internacional, consolidando a presença do Brasil na principal premiação do cinema mundial. Os longas foram dirigidos por seus filhos, Fábio Barreto e Bruno Barreto, respectivamente.
Além de produtor, Barretão foi um dos maiores defensores do audiovisual brasileiro, atuando na formulação de políticas públicas para o setor e na valorização da produção nacional. Sua influência ultrapassou os bastidores das filmagens, contribuindo para fortalecer a indústria cinematográfica brasileira e abrir espaço para novas gerações de cineastas.
A morte de Luiz Carlos Barreto gerou grande comoção entre artistas, produtores e instituições culturais. Nas redes sociais, personalidades do cinema e da televisão prestaram homenagens ao cineasta, destacando sua importância para a cultura brasileira e sua dedicação de mais de 60 anos ao audiovisual.
Com sua partida, o Brasil se despede de um dos principais arquitetos do cinema nacional. O legado de Luiz Carlos Barreto permanece vivo em uma filmografia que ajudou a contar a história do país e a projetar o cinema brasileiro para o mundo.