A votação terminou com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno. O único senador a votar contra a proposta nos dois escrutínios foi Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República.
A aprovação representa uma mudança importante nas regras constitucionais sobre jornada de trabalho. A proposta prevê a adoção de uma escala com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado, com implantação progressiva. <Cite refs={["turn784898search0","turn784898search1"]}/>
O QUE MUDA COM O FIM DA ESCALA 6X1?
Atualmente, a legislação brasileira admite, respeitados os limites legais e as regras específicas de cada atividade, jornadas de até 44 horas semanais. Na escala 6x1, o trabalhador cumpre seis dias de trabalho para ter um dia de descanso.
Com a proposta aprovada pelo Senado, as principais mudanças serão:
-
Jornada semanal de até 40 horas: a redução ocorrerá gradualmente, começando por uma etapa intermediária de 42 horas.
-
Dois dias de descanso remunerado: a escala passa a ser organizada no modelo 5x2, com dois dias de repouso semanal.
-
Preferência pelo domingo: um dos dias de descanso deverá ser preferencialmente aos domingos.
-
Salários preservados: a redução da jornada não poderá resultar em diminuição salarial, inclusive proporcional.
-
Limite diário: o texto estabelece jornada normal de até oito horas por dia, observadas as disposições aplicáveis.
-
Contratos em vigor: a mudança alcança também os contratos de trabalho existentes, conforme as condições previstas no texto aprovado.
A proposta ainda contempla medidas transitórias para reduzir possíveis impactos sobre microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. <Cite refs={["turn784898search0","turn784898search1"]}/>
QUANDO AS NOVAS REGRAS COMEÇAM A VALER?
O texto aprovado estabelece uma transição em duas etapas:
Primeira etapa — dois meses após a promulgação: a jornada máxima semanal passa de 44 para 42 horas.
Segunda etapa — 14 meses após a promulgação: a jornada máxima semanal chega a 40 horas.
Os prazos são contados a partir da promulgação da emenda constitucional, não da data da votação. Portanto, a aprovação no Senado, por si só, não significa que as novas regras tenham entrado imediatamente em vigor. <Cite refs={["turn784898search0","turn784898search1"]}/>
QUEM VOTOU CONTRA?
Entre os 76 votos computados em cada turno, houve apenas um voto contrário:
Hamilton Mourão (Republicanos-RS) — ex-vice-presidente da República e senador pelo Rio Grande do Sul.
Mourão foi o único parlamentar a votar contra a PEC nos dois turnos. O resultado oficial da votação registra 75 votos favoráveis, um contrário e a participação do presidente da sessão, que não integra a contagem de votos favoráveis ou contrários. <Cite refs={["turn784898search1","turn273787view0"]}/>
QUEM VOTOU A FAVOR?
A relação nominal abaixo reúne os senadores que votaram favoravelmente à proposta no segundo turno, conforme a lista publicada após a votação. A votação foi amplamente favorável, com representantes de diferentes partidos. <Cite refs={["turn273787view0","turn784898search1"]}/>
Lista dos 75 votos favoráveis
Avante
MDB
PDT
PL
Podemos
-
Giordano (SP);
-
Styvenson Valentim (RN);
-
Zequinha Marinho (PA).
PP
-
Ciro Nogueira (PI);
-
Daniella Ribeiro (PB);
-
Esperidião Amin (SC);
-
Laércio Oliveira (SE);
-
Luis Carlos Heinze (RS);
-
Renzo Braz (MG);
-
Tereza Cristina (MS).
PSB
-
Ana Paula Lobato (MA);
-
Chico Rodrigues (RR);
-
Cid Gomes (CE);
-
Flávio Arns (PR);
-
Jorge Kajuru (GO);
-
Leany Lemos (DF);
-
Soraya Thronicke (MS).
PSD
-
Carlos Fávaro (MT);
-
Carlos Viana (MG);
-
Eliziane Gama (MA);
-
Fernando Dueire (PE);
-
Irajá (TO);
-
Jussara Lima (PI);
-
Lucas Barreto (AP);
-
Mara Gabrilli (SP);
-
Nelsinho Trad (MS);
-
Omar Aziz (AM);
-
Otto Alencar (BA);
-
Sérgio Petecão (AC);
-
Vanderlan Cardoso (GO);
-
Zenaide Maia (RN).
PSDB
PT
-
Beto Faro (PA);
-
Camilo Santana (CE);
-
Fabiano Contarato (ES);
-
Humberto Costa (PE);
-
Jaques Wagner (BA);
-
Paulo Paim (RS);
-
Randolfe Rodrigues (AP);
-
Rogério Carvalho (SE);
-
Teresa Leitão (PE).
Republicanos
-
Alan Rick (AC);
-
Angelo Coronel (BA);
-
Cleitinho (MG);
-
Damares Alves (DF);
-
Roberta Acioly (RR).
Sem partido
União Brasil
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FLÁVIO BOLSONARO VOTOU A FAVOR; MOURÃO, CONTRA
Um dos pontos de destaque da votação foi o voto favorável de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mesmo sendo opositor do governo Lula e tendo feito críticas à proposta anteriormente, o senador votou a favor nos dois turnos.
Hamilton Mourão, também integrante de um partido de oposição ao governo federal, tomou posição contrária. O resultado demonstra que a votação não ficou restrita a uma divisão simples entre governistas e oposicionistas: parlamentares de diferentes partidos apoiaram a mudança.
A posição registrada na votação deve ser distinguida de declarações políticas, críticas anteriores e eventuais propostas alternativas defendidas por cada senador. <Cite refs={["turn784898news31","turn784898news13","turn273787view0"]}/>
QUEM NÃO VOTOU?
A ausência não deve ser confundida com voto contrário.
No primeiro turno, não compareceram:
-
Marcio Bittar (PL-AC);
-
Rogerio Marinho (PL-RN);
-
Sergio Moro (PL-PR);
-
Ciro Nogueira (PP-PI).
No segundo turno, não compareceram:
-
Marcio Bittar (PL-AC);
-
Rogerio Marinho (PL-RN);
-
Sergio Moro (PL-PR);
-
Dr. Hiran (PP-RR).
Ciro Nogueira não votou no primeiro turno, mas votou a favor no segundo. Dr. Hiran, por sua vez, votou a favor no primeiro turno e esteve ausente no segundo. <Cite refs={["turn273787view0"]}/>
O QUE DIZEM OS DEFENSORES E OS CRÍTICOS?
Os defensores da redução da jornada argumentam que mais tempo de descanso pode contribuir para a saúde física e mental, ampliar a convivência familiar e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
Já representantes de setores empresariais apontam preocupações com custos, necessidade de reorganizar turnos e possíveis efeitos sobre pequenos negócios. O texto aprovado prevê medidas transitórias para atenuar parte desses impactos.
Os efeitos concretos dependerão da implementação das novas regras, das características de cada setor econômico e da regulamentação aplicável. <Cite refs={["turn784898search0","turn784898news7","turn784898search1"]}/>
CONCLUSÃO
A aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado, por 75 votos a 1 em dois turnos, estabelece o caminho para uma mudança estrutural na jornada semanal de trabalho no Brasil. O texto prevê a redução gradual para 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários.
O registro nominal também deixa claro que Hamilton Mourão foi o único voto contrário, enquanto Flávio Bolsonaro e senadores de diferentes partidos apoiaram a proposta. A aplicação das novas regras, entretanto, depende dos prazos previstos a partir da promulgação da emenda constitucional.
Fontes: Agência Senado; tramitação oficial da PEC 221/2019; levantamento nominal publicado pela Gazeta do Povo em 14 de outubro de 2026.