Lançamento de livro do vice-prefeito Jorge Fonseca resgata história da emancipação e marca aniversário de Balneário Pinhal
O município de Balneário Pinhal celebrou oficialmente o seu aniversário de emancipação política em um evento que reuniu resgate histórico e manifestações culturais. Na noite da última sexta-feira, 30 de outubro, a Rua Coberta sediou o lançamento oficial do livro O Legado de Sonhadores, de autoria do atual vice-prefeito e duas vezes ex-prefeito da cidade, Jorge Fonseca. A atividade integrou as festividades alusivas à trajetória do município no Litoral Norte gaúcho.
A obra literária possui 482 páginas e apresenta uma extensa pesquisa documental, fotográfica e de depoimentos sobre o processo de autonomia administrativa local. De acordo com o autor, o objetivo do projeto foi catalogar as memórias e os bastidores políticos que culminaram no desmembramento do território, evitando que os registros se perdessem com o tempo.
O contexto histórico da emancipação nos anos 90
A publicação de Jorge Fonseca joga luz sobre o forte movimento comunitário que tomou conta da região na década de 1990. Até então, o território de Balneário Pinhal pertencia a Cidreira e sofria com a escassez de investimentos em infraestrutura básica, saúde e educação, devido à distância do núcleo urbano da cidade-mãe.
Motivados pela onda de emancipações que transformou o mapa do Rio Grande do Sul na época, lideranças locais criaram a Comissão Emancipacionista. O grupo organizou reuniões em garagens, associações de moradores e comércios para conscientizar a população sobre a viabilidade econômica do novo município.
Nesse cenário, o movimento ganhou um reforço político decisivo na Assembleia Legislativa do Estado com a atuação do então deputado estadual Pompeo de Mattos, que foi o relator do processo de emancipação do município. Sua liderança e parecer favorável foram fundamentais para dar o andamento legal ao projeto dentro do parlamento gaúcho, validando as demandas da comunidade e abrindo caminho para a realização da consulta popular.
O ápice do movimento ocorreu com o plebiscito de 22 de outubro de 1995, quando a maioria esmagadora dos eleitores pinhalenses votou Sim nas urnas, escolhendo a independência. A autonomia foi oficializada pelo Estado, permitindo que a nova máquina pública fosse estruturada para arrecadar seus próprios impostos e planejar o turismo e a preservação das dunas e do túnel verde, marcas registradas da cidade.
Homenagem às lideranças políticas
O ato solene na Rua Coberta contou com a presença de pioneiros desse movimento da década de 90, moradores e autoridades regionais. Durante a apresentação, Fonseca destacou a importância das gestões que estruturaram o município, fazendo menção direta às figuras centrais da história político-administrativa da cidade.
Ele lembrou de Vilmar Furini, primeiro prefeito de Balneário Pinhal, que liderou a Comissão Emancipacionista e foi o responsável por chefiar o poder Executivo nos anos iniciais, de 1997 a 2000, organizando as primeiras secretarias e postos de atendimento públicos.
O próprio autor da obra e figura emblemática na política local, Jorge Fonseca, iniciou sua trajetória no Executivo justamente como vice-prefeito no primeiro mandato histórico do município ao lado de Vilmar Furini. Ao longo das três décadas seguintes, ele consolidou sua carreira política ao governar o município como prefeito por dois mandatos e atuar como vice-prefeito também por duas gestões, acumulando uma vasta experiência administrativa que serviu de base para a construção do livro.
A linha do tempo político-administrativa encerra-se com Cezar Furini, atual prefeito do município, que lidera a gestão administrativa do período vigente, dando continuidade à consolidação urbana iniciada na década de 90.
Em seu pronunciamento, Jorge Fonseca ressaltou o caráter coletivo da publicação. Ele declarou que o livro nasceu de uma inquietação e uma vontade de resgatar memórias que o tempo poderia levar, apontando que não tem a pretensão de recontar a história, mas sim trazer a trajetória de todo este processo onde participaram muitas pessoas.
Programação cultural e engajamento comunitário
Além do protocolo literário e da sessão de autógrafos, as comemorações contaram com uma agenda diversificada ao longo do dia na Rua Coberta. As atividades começaram com a Feira de Agricultura Familiar e Artesanato, abrindo espaço para a comercialização de produtos locais.
A noite foi encerrada com foco na cultura regionalista. O público acompanhou apresentações do Encontro Tradicionalista e, na sequência, um show do grupo musical gaúcho Tchê Barbaridade, que encerrou a programação oficial da sexta-feira.