Região Norte concentra os episódios mais graves, com tornado confirmado em três municípios, residências destruídas, famílias desalojadas e interrupções no fornecimento de energia elétrica. Defesa Civil contabiliza mais de 67 mil pessoas afetadas em todo o Estado.
O Rio Grande do Sul enfrenta uma sequência de temporais que vem provocando destruição em diferentes regiões desde o último domingo, 1º de novembro. A combinação de chuvas intensas, vendavais, granizo e enxurradas deixou um cenário de prejuízos em áreas urbanas e rurais, com milhares de residências danificadas, estradas comprometidas, quedas de árvores e problemas no abastecimento de energia elétrica.
O balanço divulgado pela Defesa Civil Estadual no final da tarde desta quinta-feira (5) aponta 134 municípios atingidos e 148 ocorrências relacionadas aos eventos meteorológicos. São 67.526 pessoas afetadas, demonstrando a dimensão dos estragos provocados pelas tempestades.
Entre os episódios mais preocupantes está a confirmação de tornados em áreas dos municípios de Erval Grande, Itatiba do Sul e Barra do Rio Azul, no Norte gaúcho. A região aparece entre as mais castigadas pela passagem da instabilidade.
Região Norte: tornado e destruição de residências
A Região Norte registra alguns dos episódios mais graves da sequência de temporais.
A Defesa Civil confirmou a ocorrência de tornados em áreas rurais de três municípios:
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Erval Grande: áreas do interior foram atingidas pelo fenômeno, com danos em estruturas e residências.
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Itatiba do Sul: aproximadamente 80 residências foram atingidas e 20 famílias precisaram deixar suas casas.
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Barra do Rio Azul: também teve áreas do interior atingidas pelo tornado.
Outros municípios da região e do entorno também enfrentaram prejuízos. Em Espumoso, mais de 600 residências foram atingidas. Em Marau, cerca de 120 pessoas foram afetadas.
Passo Fundo também registrou danos expressivos, incluindo mais de mil residências danificadas, escolas atingidas, vias obstruídas e problemas na infraestrutura urbana.
Serra Gaúcha: Nova Prata concentra danos humanos e materiais
A Serra Gaúcha também está entre as áreas mais prejudicadas.
O município de Nova Prata aparece como um dos pontos mais críticos de todo o Estado. O levantamento aponta:
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Aproximadamente 2.700 residências danificadas.
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15 pessoas feridas no episódio de granizo.
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Sete estabelecimentos de ensino atingidos.
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Danos em outros prédios e estruturas.
Parte dos ferimentos ocorreu durante tentativas de reparação dos telhados. Moradores que subiram nas coberturas para colocar lonas acabaram sofrendo quedas e outros acidentes.
A situação levou municípios vizinhos a mobilizarem equipes para prestar auxílio às famílias atingidas.
Noroeste: Porto Vera Cruz entre os municípios mais prejudicados
No Noroeste, Porto Vera Cruz enfrenta uma situação particularmente delicada. A estimativa municipal é de que aproximadamente 90% das residências tenham apresentado algum tipo de dano nos telhados.
Cerca de 300 imóveis foram atingidos, além de danos em prédios públicos, veículos e estruturas urbanas. A cidade também enfrentou problemas no fornecimento de energia elétrica e água.
Em Vicente Dutra, os registros da Defesa Civil apontam 4.665 pessoas afetadas, enquanto outras localidades da região também contabilizam prejuízos em residências e propriedades rurais.
Região Central: preocupação com a elevação dos rios
A Região Central também enfrenta consequências das chuvas, principalmente em razão do aumento dos níveis dos rios.
Em Dona Francisca, o Rio Jacuí entrou em situação de atenção elevada, com previsão de atingir a cota de inundação. A Defesa Civil acompanha a evolução do nível da água.
Em Júlio de Castilhos, os ventos provocaram danos em centenas de imóveis, principalmente nos telhados, além de quedas de árvores e problemas na rede elétrica.
A situação exige atenção especial nas áreas próximas aos cursos de água e em localidades sujeitas a enxurradas.
Planalto e outras regiões
O Planalto gaúcho também registrou prejuízos significativos. Passo Fundo, Água Santa, Tapejara, Coxilha, Ibiaçá e Sananduva estão entre os municípios com ocorrências relacionadas aos temporais.
Na RS-463, entre Tapejara e Coxilha, houve interrupção do trânsito após o rompimento de uma galeria e o comprometimento da pista.
Em Água Santa, um caminhão que transportava leite caiu em uma cratera aberta pela força da água em uma estrada rural. O motorista não ficou ferido.
Também foram registrados danos em municípios dos Vales, Missões e outras áreas do Estado, mostrando que os efeitos das tempestades ultrapassaram as regiões inicialmente mais atingidas.
Balanço geral: dimensão dos prejuízos no Estado
Balanço divulgado em 5 de novembro de 2026, às 17h40.
Os números divulgados pelo Correio do Povo, com base nos dados da Defesa Civil Estadual, mostram a dimensão da ocorrência:
Além disso:
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97 pessoas estão desabrigadas.
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289 pessoas estão desalojadas.
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110 residências foram alagadas.
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103 estabelecimentos de ensino foram danificados.
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22 estabelecimentos de saúde foram atingidos.
Duas mortes estão sendo investigadas: uma em Cacique Doble, onde o corpo de uma mulher de 71 anos foi encontrado próximo a um curso de água, e outra em Sagrada Família, onde foi localizado o corpo de um motociclista que estava desaparecido. A Defesa Civil ainda não confirmou se os dois casos têm relação direta com os temporais.
Falta de energia e risco de novas inundações
Outro problema importante é a interrupção no fornecimento de energia elétrica. A concessionária RGE chegou a registrar aproximadamente 62 mil clientes sem luz, principalmente nas regiões Norte, Central e Planalto.
A queda de duas torres metálicas de uma linha de subtransmissão prejudicou especialmente o abastecimento de Três Passos e Tenente Portela.
Também permanecem preocupações com os níveis dos rios. O Rio Uruguai, em Iraí, e o Rio Jacuí, em Dona Francisca, estão sob monitoramento devido ao risco de inundação.
Quais foram as regiões mais atingidas?
Considerando os registros de danos humanos, materiais e infraestrutura, o quadro aponta:
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Norte e Planalto: tornados, granizo, destelhamentos e danos em residências e estradas.
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Serra Gaúcha: Nova Prata concentra um dos maiores números de feridos e casas danificadas.
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Noroeste: Porto Vera Cruz e Espumoso apresentam prejuízos expressivos.
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Região Central: danos provocados por ventos e preocupação com a elevação dos rios.
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Vales e outras regiões: ocorrências de chuvas intensas, alagamentos e danos localizados.
É importante destacar que o levantamento ainda é preliminar e pode aumentar à medida que as equipes municipais concluam as vistorias.
Alerta à população
A Defesa Civil recomenda que moradores evitem permanecer próximos de árvores, postes, estruturas comprometidas e áreas sujeitas a alagamentos. Também é fundamental não subir em telhados danificados para realizar reparos durante períodos de instabilidade.
O cenário desta quinta-feira mostra que o Rio Grande do Sul enfrenta uma das sequências mais significativas de ocorrências meteorológicas deste período, com consequências que atingem moradias, serviços públicos, estradas, escolas e atividades econômicas.