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FLÁVIO BOLSONARO ABANDONA DEBATE DA GLOBO HORAS ANTES DO CONFRONTO E CULPA DECISÃO DO TSE
Candidato havia confirmado presença dias antes, s recuou após decisão judicial sobre o cenário do debate e a ausência de Lula.candidato havia confirmado presença quatro dias antes, mas mudou de decisão poucas horas antes do confronto;
Por Tendência
Publicado em 01/10/2026 20:51 • Atualizado 01/10/2026 20:58
Eleições

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta quinta-feira (1º) que não participaria do debate presidencial promovido pela TV Globo, marcado para a noite desta quinta-feira, apenas três dias antes do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.

A desistência ocorreu poucas horas antes do início do programa e representou uma mudança em relação à posição manifestada pelo próprio candidato no domingo (27), quando havia confirmado publicamente que participaria do debate mesmo diante da ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

ANÚNCIO FOI FEITO NO X

A decisão foi comunicada pelo próprio Flávio Bolsonaro em uma publicação na rede social X.

Na mensagem, o candidato afirmou que havia acabado de tomar a decisão de não comparecer ao debate e atribuiu a mudança ao que chamou de “censura imposta ao evento pelo TSE”.

Flávio também escreveu que “a imprensa tem que ser livre e as eleições limpas” e informou que apresentaria posteriormente mais detalhes sobre sua decisão.

A declaração foi publicada na noite desta quinta-feira, poucas horas antes do horário previsto para o início do debate.

O QUE MUDOU NO DEBATE

A principal mudança ocorreu depois de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo a ausência de Lula.

O presidente havia informado previamente à Globo que não participaria do último debate presidencial antes do primeiro turno. A emissora havia planejado manter no cenário um espaço destinado ao candidato ausente.

Na tarde desta quinta-feira, a ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que a Globo não exibisse o púlpito que seria destinado a Lula.

Na decisão, segundo a Folha, a ministra considerou que uma regra que previa consequências negativas para candidatos ausentes poderia produzir pressão para que eles comparecessem ao debate, interferindo na faculdade de participação prevista em lei.

A Agência Brasil também informou que a decisão foi provocada por um pedido da coligação de Lula e destacou que, segundo a decisão, a ausência do candidato não deveria gerar consequências coercitivas.

POR QUE FLÁVIO MUDOU DE POSIÇÃO?

A justificativa apresentada publicamente pelo candidato foi a decisão do TSE, classificada por ele como “censura”.

Além dessa explicação oficial, reportagens publicadas nesta quinta-feira apontam outros elementos que estavam sendo considerados pela campanha.

Segundo apuração do Metrópoles, a avaliação atribuída à campanha era de que a intervenção judicial havia alterado as condições inicialmente previstas para o debate. A publicação também relata que, sem o espaço visual destinado a Lula, Flávio perderia uma oportunidade de explorar a ausência do adversário durante o programa.

Essas são, entretanto, interpretações atribuídas à campanha, e não uma justificativa adicional formal apresentada por Flávio no anúncio publicado no X.

FLÁVIO HAVIA CONFIRMADO PRESENÇA

A mudança ganhou destaque porque, quatro dias antes, o candidato havia declarado exatamente o contrário.

No domingo (27), durante agenda de campanha, Flávio confirmou que compareceria ao debate da Globo. Na ocasião, afirmou que iria ao programa mesmo sem a presença de Lula e chegou a convocar publicamente o presidente para o confronto.

Portanto, entre domingo e quinta-feira houve uma mudança de posição:

27 de setembro: Flávio confirma presença no debate.

30 de setembro: Lula confirma que não participaria do debate.

1º de outubro: TSE determina que a Globo não exiba o púlpito vazio reservado a Lula.

1º de outubro, à noite: Flávio anuncia no X que também não participará do debate.

O DEBATE TAMBÉM FOI ALTERADO POR OUTRAS DECISÕES JUDICIAIS

A situação do programa ficou ainda mais complexa devido à participação de outros candidatos.

A Globo havia inicialmente organizado o debate com candidatos que atendiam aos critérios de representatividade partidária utilizados pela emissora. Romeu Zema (Novo) foi incluído posteriormente após decisão judicial.

Também houve disputa envolvendo Renan Santos (Missão), que buscava participar do confronto. Reportagens desta quinta-feira informaram que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou sua inclusão.

As decisões judiciais, portanto, alteraram a configuração inicialmente planejada para o último debate antes do primeiro turno.

AUSÊNCIA DE LULA JÁ HAVIA MUDADO O CENÁRIO

A decisão de Flávio ocorreu depois de Lula confirmar que não participaria do encontro.

O presidente comunicou à Globo sua ausência e, no mesmo horário do debate, tinha participação prevista em entrevista ao Flow Podcast.

O debate da Globo havia sido considerado o último grande confronto televisivo entre os candidatos antes da votação de domingo.

Com a desistência de Flávio, o cenário previsto anteriormente sofreu uma nova alteração.

O QUE FLÁVIO DISSE SOBRE A DECISÃO

Na publicação em que anunciou a desistência, Flávio não apresentou uma explicação extensa.

Sua justificativa foi concentrada em três pontos:

  • crítica à decisão do TSE;
  • classificação da medida como “censura”;
  • defesa da liberdade de imprensa e de eleições que considerou “limpas”.

O candidato afirmou ainda que daria “mais detalhes” posteriormente.

É importante separar essa declaração da interpretação feita por veículos de imprensa e integrantes de sua campanha sobre as consequências políticas da decisão judicial.

ÚLTIMO DEBATE ANTES DO PRIMEIRO TURNO

O encontro da Globo estava programado para esta quinta-feira (1º), às 21h30, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro.

Antes da desistência de Flávio, estavam previstos no confronto Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e o próprio Flávio, além das alterações decorrentes das decisões judiciais envolvendo outros candidatos.

O primeiro turno das eleições presidenciais será realizado no domingo, 4 de outubro.

UMA RETA FINAL MARCADA POR MUDANÇAS

A desistência de Flávio Bolsonaro ocorre, portanto, em uma sequência de acontecimentos que modificaram o debate nos últimos dias: primeiro a confirmação da ausência de Lula, depois decisões judiciais sobre a composição e as regras do programa e, finalmente, a retirada de Flávio do confronto.

A razão oficialmente apresentada por Flávio foi a decisão do TSE, que ele classificou como “censura”. Já as possíveis consequências estratégicas da retirada — como a mudança do foco do debate e a perda da oportunidade de confrontar diretamente Lula — aparecem em análises e relatos atribuídos à campanha, mas não devem ser confundidas com uma justificativa formal adicional do candidato.

 

Fontes: Folha de S.Paulo, Reuters/UOL, Agência Brasil, Metrópoles, UOL e SBT News. 

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